quarta-feira, 20 de agosto de 2014

The Imperative of Integration (Political Studies)

A última edição da Political Studies trouxe uma seção especial sobre o livro The Imperative of Integration da filosofa Elizabeth Anderson (Michigan). Os artigos são fruto de uma mesa redonda da edição de 2013 da American Political Science Association (APSA). Em The Imperative of Integration Anderson procura explicar tanto os mecanismos de exclusão racial vigentes nos EUA, como defender a necessidade da integração imediata desses setores marginalizados às oportunidades geradas pela cooperação social (as últimas notícias de Ferguson/Missouri reforçam os argumentos de Anderson!). O livro é também uma tentativa de integrar a metodologia e os dados das ciências socais ao tipo de discussão normativa presente na filosofia política contemporânea (tema do artigo de Jack Knight). Entre os debatedores, Benjamin Hertzeberg, Lawrie Balfour, Jack Knight, e, claro, a própria Anderson. 







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Professor Anderson’s work is an extended argument that contemporary liberal democracies ought to pursue racially integrative policies in order to achieve social justice and a healthy democratic society. Her work is remarkable for two reasons. First, it cuts against the dominant approach of contemporary multiculturalism in arguing that public policies ought to prioritize the integration of minority groups into all areas of social life over preserving minority communities and enclaves. Second, it offers a unique methodological approach to non-ideal political theorizing. Anderson intends Imperative as a demonstration of the considerable value pragmatist political theory can add to norma- tive and policy discussions.

Anderson develops her argument for racial integration through careful examination of the empirical data about race, opportunity, political participation and segregation in the US. Her conclusion is that segregation is a principal cause of persistent racial disparities in health, economic opportunities, and political efficacy and participation. While the data Anderson analyzes and many of the ethical and policy debates she engages stem from the US case, her conclusions are of general scope. They are driven by the application of sociological theories from Max Weber and Charles Tilly that explain social inequality as a consequence of spatial and role segregation. As such, her conclusions are widely applicable to all cases of domestic identity-group-based inequalities, whether they occur as a consequence of race, caste, religion, ethnicity, language group or gender. We believe that her work and the symposium that follows will be of considerable interest to political scientists and theorists in the UK and elsewhere, particularly given contemporary con- troversy over multiculturalism. 


domingo, 17 de agosto de 2014

Lançamento: Vozes do Bolsa Família (2a. Edição)

A segunda edição (revisada e ampliada) do livro Vozes do Bolsa Família será lançada quarta-feira (20/08) às 19h na Livraria Cultura do shopping Bourbon. Os autores, Walquíria Leão Rego (Unicamp) e Alessandro Pinzani (UFSC) debaterão os objetivos do livro e os impactos iniciais da pesquisa no debate público sobre distribuição no país (Agradeço a Lucas Tozo pelo envio do convite!). 




terça-feira, 12 de agosto de 2014

Simpósio Dworkin (DCP-USP)

Entre os dias 4 e 5 de setembro, o Departamento de Ciência Política da USP realizará o Simpósio Ronald Dworkin: Direito, Ética e Política no qual pesquisadores de diferentes áreas de pesquisa farão um balanço das contribuições de Dworkin para a filosofia contemporânea. A conferência de abertura será ministrada por Pablo da Silveira (Universidad Católica del Uruguay). 







Ronald Dworkin foi um dos grandes responsáveis pela renovação do pensamento liberal e pela valorização da filosofia política no debate público contemporâneo. Suas obras nos ajudaram a reavaliar o papel dos princípios morais na fundamentação dos direitos e instituições que constituem os requisitos para uma sociedade justa.

O simpósio Ronald Dworkin: Direito, Ética e Políticaorganizado pela pós-graduação de Ciência Política da FFLCH-USPtem por objetivo reunir pesquisadores nacionais e estrangeiros de diferentes áreas para um balanço crítico das obras do filósofo. No simpósio serão apresentadas e debatidas as contribuições de Dworkin para a Filosofia do Direito, a Ética Aplicada e a Teoria Política.

O evento será realizado na Faculdade de Filosofia Letras e Ciência Humanas da Universidade de São Paulo entre os dias 4 e 5 de setembro e será aberto ao público em geral. 

Ronald Dworkin: Direito, Ética e Política 
- 4 e 5 de setembro -
Departamento de Ciência Política (USP)




domingo, 10 de agosto de 2014

Desigualdade de Renda em SP

A revista "sãopaulo" (Folha) publicou os primeiros resultados do levantamento da estrutura de renda na cidade de São Paulo realizado pela prefeitura. Segundo o estudo, nos últimos 10 anos, a proporção na riqueza social da renda do 1% mais rico da cidade (cerca de 100 mil cidadãos com renda individual superior a 15 mil reais mensais) aumentaram espantosos 7% (13% em 2004 contra 20% em 2014). Enquanto isso, a renda dos 50% mais pobres continua estagnada na casa dos 10%. Entre as possíveis explicações para a concentração de renda de "super-ricos" na capital, estão a mudança estrutural da economia (indústria para serviços), o surgimento de "super-salários" e a fuga das classes médias do custo de vida na metrópole.

São Paulo: cidade inviável. 


1% mais rico de São Paulo abocanha 20% da renda da cidade; há dez anos eram 13%

Vanessa Correa

As pessoas ricas estão cada vez mais ricas em São Paulo. Se o seleto grupo do 1% mais endinheirado da populao já embolsava R$ 13 em cada R$ 100 ganhos na cidade em 2000, dez anos depois sua renda deu um salto: passou a abocanhar R$ 20 em cada R$ 100 do montante arrecadado - vindo de salários, aluguéis e investimentos.

Os dados fazem parte de um levantamento inédito da prefeitura que compara os dois últimos Censos do IBGE (2000 e 2010).

No mesmo período, outras camadas da população, como os 50% de menor renda, não experimentaram prosperidade parecida. Embora estejam ganhando mais hoje, a participação deles no "ordenado paulistano" ficou praticamente estagnada, passando de R$ 11,65 para R$ 10,57 em cada R$ 100.

Para fazer parte do 1% mais rico, é preciso ter uma renda individual de ao menos R$ 15 mil. Essa fatia acomoda pouco mais de 100 mil pessoas, entre empresários, altos executivos, profissionais liberais e gestores do próprio patrimônio. A população atual de São Paulo de 11,8 milhões.

O descolamento dos super-ricos e o achatamento da classe média são reflexos de uma São Paulo mudada, que se transformou em metrópole de serviços, importante centro financeiro e sede de grandes multinacionais, pouco parecida com a cidade industrial de algumas décadas atrás.

A mudana no perfil dos empregos, com o surgimento de superexecutivos e novos empresários da indústria criativa, ajuda a explicar as mudanas no topo. Já a perda de postos na indústria, substituída pela multiplicação das ocupações de baixa remuneração em servios terceirizados, dá uma ideia de qual a nova situação na base.

Está em curso, também, uma migração seletiva: enquanto profissionais ultraqualificados vem para São  Paulo em busca de melhores remunerações opções de lazer, pessoas de baixa renda fogem do custo de vida elevado. Essa migração completa o quadro de alterações por que a cidade passou e vem passando, segundo os especialistas ouvidos pela sãopaulo.

SEM INDÚSTRIA, COM GLOBALIZAÇÃO

O geógrafo Tomás Wissenbach, responsável pelo levantamento desses dados na prefeitura, credita a concentração de renda à modificação operada nos empregos da cidade.

"Desde os anos 1970, São Paulo vem perdendo suas industrias e com elas os empregos que pagavam bons salários a pessoas com escolaridade média", afirma Wissenbach, que é diretor do Deinfo (departamento de informações), ligado secretaria de Desenvolvimento Urbano.

Por outro lado, diz Wissenbach, hoje a economia paulistana está concentrada nos setores de serviços, que produzem, em uma ponta, superempregos para executivos e consultores e, na outra, ocupações de baixa remuneração em funções terceirizadas como limpeza e telemarketing.

Nos últimos dez anos, a atenção das multinacionais se voltou para os países em desenvolvimento como o Brasil, e muitas dessas empresas abriram filiais na cidade de São Paulo, afirma Rodrigo Soares, diretor da Hays, uma consultoria especializada em recrutamento de altos executivos.






Como a legislação trabalhista não favorece a vinda de profissionais estrangeiros, os executivos brasileiros acumularam funções e passaram a ganhar bem mais. "Essa versatilidade levou-os a ter uma compensação financeira."

Assim, diretores-presidentes que em 2005 recebiam salários de até R$ 25 mil por mês na cidade de São Paulo, em 2010 poderiam chegar a R$ 70 mil, segundo o Datafolha. Hoje, essas remunerações passam dos R$ 90 mil — sem falar nos bônus e benefícios.

Mas há outros fatores operando o milagre da multiplicação das rendas altíssimas, avalia o professor de economia Otto Nogami, do Insper (instituto de ensino). "Empresas que oferecem novos serviços ligados ao mundo da tecnologia e da comunicao estão crescendo rapidamente."

As novas empresas se expandem, e, junto com elas, a renda de jovens empresários como Guga Guizeline, 32, que organiza eventos para "aproximar marcas de pessoas". Ele faz festas promovendo de "lançamento de prédio até marca de camisinha".

Guga vem de uma família de nível "superbom", como ele diz. Seu pai sempre foi funcionário do setor financeiro, rea em que ele prprio tentou a sorte. Há seis anos, porém, depois de trabalhar com marketing e investimentos, começou a fazer eventos corporativos.

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Pettit: A Infraestrutura da Democracia

O filósofo Philip Pettit (Princeton) ministrou a conferência "The Infrastructure of Democracy" no University College Dublin, como parte do curso de verão Reforming Democratic Institutions in the Republic. Na conferência, Pettit explora a questão (prática) de como tornar mais republicanas as instituições políticas vigentes. 





- Pettit: "The Infrestructure of Democracy" (University College Dublin)

Chamada: IPSA-USP Summer School

Estão abertas as inscrições para a 6 edição da Escola de Verão em Conceitos e Métodos de Pesquisa em Ciência Política e Relações Internacionais, organizada anualmente pela parceria IPSA e USP. Os cursos começam dia 26 de janeiro e vão até o dia 13 de fevereiro. O prazo para inscrição é 10 de outubro

Ver aqui as ementas dos cursos oferecidos. 







domingo, 3 de agosto de 2014

Boicotar Israel ?

A ofensiva israelense na Faixa de Gaza já dura um mês. Diante das cenas chocantes do "massacre de Gaza", a comunidade internacional procura oferecer argumentos a favor (e contra) sanções econômicas ao Estado de Israel - nos mesmos moldes das sanções aplicadas ao regime de apartheid na Africa do SulEspera-se que sanções e boicotes enfraqueçam a (já seriamente desacreditada) política nacional de segurança israelense. Em ensaio para o jornal eletrônico Open Democracy, Martin Shaw (Sussex) avalia as principais justificativas para o boicote - incluindo suas próprias objeções anteriores à iniciativa - e o que mudou nos últimos anos. Em ensaio para o The Nation, Noam Chomsky rejeita a proposta mas afirma: a situação atual dos palestinos pode ser ainda pior do que a dos negro sul-africanos. Já Rashid Kalidi (Columbia) em artigo para o Estadão procura sustentar a interpretação de uma política deliberada de "punição coletiva" contra os palestinos de Gaza. 
O material jornalístico produzido pelo Estadão é protegido por lei. Para compartilhar este conteúdo, utilize o link:http://alias.estadao.com.br/noticias/geral,punicao-coletiva,1537643
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"Within Israel, discrimination against non-Jews is severe; the land laws are just the most extreme example. But it is not South African-style apartheid. In the occupied territories, the situation is far worse than it was in South Africa, where the white nationalists needed the black population: it was the country's workforce, and as grotesque as the bantustans were, the nationalist government devoted resources to sustaining and seeking international recognition for them. In sharp contrast, Israel wants to rid itself of the Palestinian burden. The road ahead is not toward South Africa, as commonly alleged, but toward something much worse." (Noam Chomsky).